História do Sindicato

Memória, resistência e conquistas dos trabalhadores eletricistas (1939 – 1989)

35 Anos Sob o Regime Fascista

1939

Após o encerramento e dissolução dos Sindicatos livres (construídos pelos portugueses durante a monarquia e a I República), o regime fascista obriga os trabalhadores a agruparem-se em sindicatos corporativos, profissionais, para mais facilmente os dominar, dividir e explorar.

É dentro dessa política que surge em 5 de Julho de 1939 o Sindicato Nacional dos trabalhadores Electricistas. Em 19 de Outubro, os electricistas inscritos nos Sindicatos Nacionais Ferroviários têm de passar para este Sindicato, assim como os de outros ramos.

1940

Aprovado em 29 de Abril o Regulamento da Secção Regional do Porto, é extinto o Sindicato Nacional das Centrais Eléctricas.

O Governo determina em 30 de Janeiro que todos os electricistas se devem inscrever no referido sindicato.

1941

O Sindicato atinge já a marca de 6.500 sócios, entre os quais uma mulher.

Em 30 de Janeiro é inaugurada a sede definitiva do Sindicato, na Rua de Santa Justa, em Lisboa. Aprovado em 23 de Junho o Regulamento da Secção Regional do Centro. O Sindicato passa então a chamar-se Sindicato Nacional dos Electricistas do Distrito de Lisboa.

1942

Em Fevereiro entra em vigor o C.C.T. para os Electricistas das Moagens e em Janeiro do ano seguinte o A.C.T. da CRGE.

Em 28 de Fevereiro realizam-se as primeiras eleições, mas o governo fascista recusa sancionar a eleição de três electricistas. Esta recusa está ligada às primeiras grandes greves travadas pelos trabalhadores portugueses (com cerca de 20.000 operários em Lisboa).

1943

A exemplo do que se passa em vários sindicatos, cujos trabalhadores participaram nas greves de 1942, em 10 de Maio de 1943 são destituídos os Corpos Gerentes eleitos e nomeada pelo governo fascista uma comissão administrativa para gerir os destinos do Sindicato.

1945

Na sequência das grandes greves (42, 43, e 44) e do fim da II Guerra Mundial, realizam-se eleições na maioria dos sindicatos. Com 215 sócios, efectua-se em 15 de Fevereiro a Assembleia que destitui a comissão administrativa e elege novos Corpos Gerentes.

1969

Em 14 de Abril são eleitos os novos Corpos Gerentes, cuja direcção vai imprimir uma nova dinâmica à actividade sindical, consentânea com a orientação que os sindicatos unitários vinham já praticando.

1970

Após esforços porfiados foi aprovada em 12 de Outubro a XIII especialidade, permitindo que milhares de trabalhadores das empresas de material eléctrico se inscrevessem no Sindicato.

1972

Começo da elaboração da proposta do primeiro C.C.T./FMEE, o qual, por imposição das multinacionais, só vem a ser publicado após o 25 de Abril de 1974.

O Sindicato adere à Intersindical e começa a participar nas suas reuniões.

O Ano da Revolução

1974

Em Abril de 1974 todo o sector dos FMEE está em luta pelo seu Contrato, com várias greves.

Após a Revolução dos Cravos, o Sindicato participa na ocupação do Ministério das Corporações e na grandiosa jornada do 1º de Maio em liberdade. Luta contra despedimentos (CREATOR, SIGNETICS, SIEMENS, etc.).

Em 6 de Junho realiza-se a primeira Assembleia em liberdade. O Sindicato passa a designar-se Sindicato dos Trabalhadores Electricistas do Sul.

15 Anos de Liberdade (1975 a 1989)

1975

Em 2 de Junho, a Assembleia com mais de 2.000 associados aprova os novos Estatutos, passando a designar-se Sindicato dos Electricistas do Sul.

1977

Em 29 de Outubro realiza-se o I Encontro Nacional dos Trabalhadores do Sector dos Fabricantes de Material Eléctrico e Electrónico, com centenas de delegados.

1978

Finda o processo para a transformação num sindicato de novo tipo (vertical e pluriprofissional). Surge assim o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI), um dos mais sólidos pilares do Movimento Sindical Unitário.

1980

É constituída a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas (FSTIE), unindo os esforços do SIESI e dos Sindicatos do Norte e Centro.

1981 & 1982

Em 1981 são alterados os Estatutos visando a descentralização sindical. O velho Conselho Fiscal é suprimido a favor da Assembleia de Delegados.

Em 1982 realizam-se as eleições mais concorridas de sempre. Pela primeira vez são eleitos dirigentes de todas as zonas com número significativo de associados.

1983 & 1984

As Delegações são redimensionadas. 12 Delegações começam a funcionar a pleno gás com Secretariados Regionais. A descentralização consolida-se e o SIESI passa a comparticipar o apoio jurídico (1984).

1985 & 1986

Grandes Encontros Nacionais da EDP e da Electrónica (1985). O SIESI passa a custear integralmente as custas dos processos nos Tribunais de Trabalho (1986).

Realiza-se o I Congresso da FSTIEP, estruturando a defesa dos interesses a nível nacional.

1987

Nova dinâmica sindical com a criação de 14 Direcções Regionais e Locais, aproximando o sindicato dos associados. Criação do Conselho Fiscalizador para maior eficácia e rigor administrativo.

1989

Comemorações do 50º Aniversário

Meio século de dedicação, luta e defesa dos direitos dos trabalhadores do sector eléctrico e electrónico em Portugal.